Pogacar a Almeida: “Mostraste o guerreiro que és”

Pogacar a Almeida: “Mostraste o guerreiro que és”
Foto: Jonathan Biche

Poderá João Almeida estar na Vuelta a Espanha com Tadej Pogacar? O que se segue para o corredor da UAE Emirates?

Após abandonar o Tour de France, o resto da temporada de João Almeida é uma interrogação, mas tentámos antecipar o cenário mais provável e se poderá acompanhar Tadej Pogacar à Vuelta a Espanha.

O corredor de A dos Francos caiu na 7.ª etapa e foi forçado a abandonar na 9.ª etapa. Pela frente tem um período de recuperação de entre quatro a seis semanas.

Em conversa com o Dr. João Silvestre Martins, médico interno em Medicina Desportiva e do Exercício nas modalidades do Sporting Clube de Portugal, além de grande fã de ciclismo, tentámos perceber quais serão os próximos passos.

“Para começar a fazer rolos vai ser guiado pela dor e outros eventuais sintomas associados; o normal é sentir dor entre 10 a 20 dias. O regresso à prática desportiva competitiva antes da resolução dos sintomas é desaconselhado, pois a dor pode limitar uma ventilação adequada e aumentar o risco de complicações pulmonares e agravamento da lesão.”

Dr. João Silvestre Martins ao TopCycling.
A UAE Emirates na Grande Partida em Lille.
Foto: Billy lebelge

Riscos de agravamento do quadro

Continuar no Tour de France era uma questão de saúde, de tolerância à dor e da avaliação permanente dos riscos e dos benefícios para o atleta e equipa.

Certo é que às lesões nas costelas estão associados riscos de agravamento do quadro e de complicações respiratórias, sobretudo em caso de nova queda com trauma torácico.

“O João e a equipa provavelmente terão percebido que o contributo que poderia dar, estando tão limitado pelas lesões, não justificaria o risco que continuar acarretaria para a sua saúde e para uma eventual preparação para próximos objetivos.”

Dr. João Silvestre Martins ao TopCycling.
Almeida foi 8.º no contrarrelógio do Tour de France.
Foto: Billy lebelge/Romain Laurent

Competitivo na Vuelta a Espanha?

No regresso a casa, João Almeida poderá treinar na bicicleta estática e mitigar a pausa forçada. Apontar à estrada talvez só no início de agosto.

Para consolidar a recuperação serão necessárias quatro a seis semanas. A sexta semana cai no arranque da Vuelta a Espanha, que se disputa entre 23 de agosto e 14 de setembro.

É realista pensar que pode estar competitivo na Vuelta a Espanha? Sim, sobretudo porque um dos aspetos que distingue os atletas de alta competição é a capacidade de recuperação.

Poderá não entrar na máxima força, cenário longe do ideal dada a dureza da primeira semana da prova espanhola, mas se algo caracteriza João Almeida é a tenacidade.

Os rivais vão ter que suar sangue para lhe meter tempo no contrarrelógio por equipas de Figueres (5.ª etapa) e os principais desafios serão as chegadas em alto em Andorra e no Pireneu Aragonês.

A segunda semana traz Angliru e Farrapona e a Vuelta a Espanha fecha com contrarrelógio individual de 26 km em Valladolid e subida à Bola del Mundo, na serra madrilena.

Ler mais | O percurso da Vuelta a Espanha

Almeida foi eleito o melhor colega de equipa da primeira semana do Tour.
Foto: Billy lebelge

O guerreiro de Pogacar teve que abdicar

Portanto, não há motivo para pensar que a UAE Emirates terá que abdicar de um João Almeida com capacidade para liderar. Se será em conjunto com Tadej Pogacar, veremos.

O esloveno tem a corrida programada ir, mas confirmação só após o Tour de France.

“Senti-me honrado por pedalar contigo, mostraste o guerreiro que és! Não duvido de que vais voltar mais forte! Obrigado por tudo.”

Tadej Pogacar despediu-se via Instagram.

O guerreiro Almeida abdicou, mas as palavras do líder Pogacar ajudam no aspeto mental. De resto, a Associação Americana de Medicina Desportiva descreve a resiliência como um dos critérios a favor de um atleta.

Ler mais | João Almeida candidato a uma “grande” após dominar Romandia

A UAE Emirates na Grande Partida em Lille.
Foto: Billy lebelge

Almeida vs. Pogacar no Mundial?

Em caso de não correr a Vuelta a Espanha há objetivos interessantes até final do ano. O mais apelativo é o Mundial do Ruanda, o primeiro em África, com um percurso que supera os 5000 m de acumulado.

Será um dos Mundiais mais duros da história, mas requer preparação específica em altitude dado que a capital do Ruanda se situa a 1,567 m acima do nível do mar.

Com 13 títulos entregues em 11 dias, entre 21 e 28 de setembro, isto é, após a Vuelta a Espanha, haveria tempo suficiente para preparar este objetivo no qual João Almeida nunca foi bem sucedido.

Em oito presenças em Campeonatos do Mundo, desde júnior a elite, o português nunca fez melhor do que 47.º (Leuven 2021). Na prova onde colegas se tornam adversários, podemos ter um Almeida vs. Pogacar no Mundial?

Entrevista | Paret-Peintre sonha com o Mundial

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